Em algum momento da vida você
pode ter se perguntado: Porque ser bom?Por que ser bom filho? Bom
esposo? Boa esposa? Um bom profissional? Um bom cristão?
Sem dúvida muitas respostas
surgem a esse questionamento: “Devemos ser bons porque agindo assim receberemos
bondade em troca”. Ou: “Devemos fazer isso porque aquilo que plantamos
colhemos. É o que se espera das pessoas”.
“Se você não for uma pessoa bondosa o que pensarão a respeito de você?”
Kant responde dizendo que devemos
ser “bons com os outros” simplesmente porque isso é que está certo. Todas essas
respostas me levam a outro questionamento: Qual a motivação de minha bondade?
Parece-me que todas as afirmações
acima tendem a fracassar quando pensamos a respeito. Vejamos por exemplo Jesus
que curou pessoas, perdoou pecados, ensinou a muitos, clamou por justiça, e o
que ele colheu?
E os seus discípulos? E os
cristãos do primeiro século? E Martin Luther King? E os judeus durante a
segunda guerra mundial? Enfim, me parece não muito convincente as afirmações de
ser bom por motivações de “uma boa colheita”. Ser bom pelo apelo social também não é a
motivação correta.
Ser é algo que existe, no grego
eimi (primeira pessoa do indicativo ativo do presente). Somos no presente,
enquanto existimos, no movimento que chamamos de agora. Nesse sentido não se pode negar aquilo que se
é, podemos enganar os outros com as diversas mascaras sociais que usamos. Mas
não podemos negar aquilo que somos.
O primeiro filósofo a colocar
explicitamente o conceito de SER foi Parmênides de Eleia (século VI a.C. -
século V a.C.). Para ele, seria impossível falar ou pensar no Não-Ser, pois o
Não-Ser nada refere. Para o pensador de Eleia, O Ser, que existe para além das
ilusões do mundo sensível da doxa, é uno, eterno, imóvel, não-gerado e
imutável: "O Ser é e o não ser não é".[1]
Nesse sentido ser bom, por
esperar algo, ou para receber gloria, louros da fama, já não é ser bom. Alguém deve agir com bondade, por que ele é
bom, a motivação é aquilo que a pessoa é. Ser é ser. Ser bom para receber
bondade é ser interesseiro, negociador, barganhador. Pensar em ter vantagens
por algumas atitudes louváveis não demostra o que somos na verdade, por que na
verdade somos o que somos.
Ser bom para obter reconhecimento ou não ser julgado, não é
ser bom. Talvez a busca por inflar seu ego, um pouco de narcisismo, ou a
síndrome do “espelho espelho meu” retratada nos contos dos irmãos Grimm. Leon
Tolstoi já dizia: “Não é possível ser bom pela metade”.
Na verdade sempre queremos ganhar, crescer, ser visto, ser
reconhecido, não ser julgado. A nossa
natureza clama por isso. Por isso
cultivar uma bondade desprovida do real sentido do ser, é inútil, é perigoso,
pelo menos para os cristãos.
Jesus praticava a bondade, pois essa era sua natureza, Ele
era, Ele é, e sempre será.
Nós devemos agir com bondade pela
nova natureza que recebemos. (João 3.3) Essa nova natureza nos impele a
produzirmos frutos, é um deles é a bondade (Gálatas 5.22). A nossa motivação
não pode ser mesquinha, interesseira, infantil ou covarde. Mas pelo Espirito
que comunica ao nosso ser interior uma nova vida, um novo caráter, um novo ser,
agora motivados pelo somos. (2 Coríntios 3.18).
Libertos e despidos do velho homem (Colossenses 3.9; Efésios 4.2). Esse
novo ser é real. Ele age, porque agora é.
Ser bom pode nos custar a vida. Maquiavel
ensina que ser bom em meio a tantos outros que são maus é uma desvantagem. Contrapondo Maquiavel, Jesus afirma que
felizes são aqueles que são; bondosos, misericordiosos, mansos, perseguidos.
(Mateus 5). Não se pode negar aquilo que
se é. Mesmo estando em desvantagem aqueles que nasceram de novo, mesmo correndo
o risco de açoites, de desprezo, de “sair perdendo”, de morte, não deixaram de
ser aquilo que são.
“...pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos
vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem
daquele que o criou...” (Colossenses 3.9-10)
Oaidson Bezerra e Silva

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