terça-feira, 2 de maio de 2017

EMPRÉSTIMOS NO ANTIGO TESTAMENTO

  
            Grosso modo e resumindo podemos afirmar que empréstimos fazem parte da sociedade como costumes muito antigos e que é difícil datar com precisão o inicio desse costume.
            Analisando os cinco primeiros livros da bíblia pode-se aprender muito sobre a economia de um povo em desenvolvimento. Na civilização hebreia que estava se formando, “os empréstimos eram essenciais para permitir que as pessoas saíssem da pobreza” [1], além de ser parte da responsabilidade social daquele povo. Os empréstimos serviam para que alguns hebreus investissem em um pequeno negócio, por mais atual que isso pareça, para suprirem suas necessidades e se tornarem autossustentáveis.
            No vernáculo hebraico existem cinco palavras para indicar o termo empréstimo, nashah (“hvn”) que significa emprestar, ser credor, lavah (“hwltomar emprestado, nathan (“Ntn”) dar, abat (“jbe”),  tomar como penhor ou dar como penhor e sha’al ou sha’el (“lav”) pedir emprestado.
            A pratica dos empréstimos era regulamentado pela lei mosaica e visava à ajuda aos pobres, vejamos o que um trecho bíblico diz:
Porque o SENHOR, teu Deus, te abençoará, como te tem dito; assim, emprestarás a muitas nações, mas não tomarás empréstimos; e dominarás sobre muitas nações, mas elas não dominarão sobre ti. Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na tua terra que o SENHOR, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes, lhe abrirás de todo a tua mão e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade. Guarda-te que não haja palavra de Belial no teu coração, dizendo: Vai-se aproximando o sétimo ano, o ano da remissão, e que o teu olho seja maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti ao SENHOR, e que haja em ti pecado. Livremente lhe darás, e que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o SENHOR, teu Deus, em toda a tua obra e em tudo no que puseres a tua mão. Pois nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado e para o teu pobre na tua terra. (DEUTERONÔMIO 15.6-11) [2]
            No caso de empréstimos a lei proibia a pratica de usura (cobrança de juros) com os seus compatriotas e só era aceitável a cobrança de juros quando os empréstimos eram feito a não hebreus (cf. Deuteronômio 15.6; 23.19-20).
            O Pentateuco mostra um ciclo onde as dividas eram perdoadas. A cada sete anos o devedor tinha suas dividas anuladas por seus credores. Mas não se pode pensar que os hebreus se aproveitavam dessa lei, enganando seus credores, haja vista que aquele que não devolvessem os empréstimos tomados era considerado ímpio (cf. Salmo 37.21), e os que ultrapassam esse ciclo não conseguindo sanar suas dividas, assim agiam por pura falta de condições (cf. Deuteronômio 24.10-17; 15.1-6).
            Encontramos nos Salmos declarações de retribuições aos que tinham como pratica o emprestar como ajuda aos pobres, dando condições a estes de minimizarem sua condição social e saírem da pobreza, veja exemplo a seguir: “O que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” (Salmos 15.5) e “ditoso o homem que se compadece e empresta; ele defenderá a sua causa em juízo”. (Salmos 112.5). Ainda nos livros conhecidos como sapienciais encontramos o apoio dessas praticas visando o bem social (cf. Salmos 37.26; Provérbios 19.17).
            O estudo bíblico cuidadoso do tema aqui esboçado leva-nos a compreender que a pratica do empréstimo de bens poderia ajudar os pobres, dando-lhes condições de criarem um meio de renda que os ajudassem. Mas, como comentado em alguns tópicos anteriores, e historicamente falando, existiram hebreus que praticavam justamente o contrario do sistema de leis imposto por Deus no antigo testamento o que acabava criando problemas sociais sérios, e em relação a empréstimos não foi diferente.





[1] COPE, Landa, The Old Testament Template - Rediscovering God's Principles for Discipling  2°Ed. , The Template Instituto Press, Burtigny, Suíça.May  2008, Pg. 39 Cap. 2.
[2] Bíblia Sagrada versão Almeida Revista e Corrigida.

A QUESTÃO DA ESCRAVATURA NA BÍBLIA


A QUESTÃO  DA ESCRAVATURA NA BÍBLIA

 A questão da escravatura no antigo testamento e as implicações da permissão divina para essa condição social tem sido alvo de duras críticas a esse respeito. Não podemos negar que o homem, na estratificação social, criou classes, castas e estamentos, que subjugou outros semelhantes a ele[1], e dentro dessa regra alguns dentre o povo hebreu, historicamente, também, participaram dessa imposição social, não por seguir fielmente a ordem divina, mas num desvio de conduta da ordem social imposta por Jeová.
        Não é intenção nesse trecho formar uma opinião apologética sobre o fato, mas mostrar o ensino veterotestamentário concernente ao que se refere como escravatura permitida por Deus, e as diretrizes de como deveriam ser tratados todos os escravos do povo hebreu. À medida que desenvolvemos o trecho ficará clara a diferença entre o escravo para hebreu, consonante com ensinos de Jeová, e para as demais nações.
          O vocábulo hebraico para escravo (dbe “ebed”) tem o sentido de servo, servidor, súditos e até adoradores. Verificando esse vocábulo percebemos que para o hebreu a palavra “escravo” não soava da mesma maneira que para um grego (“douleuwdouleuo - ser escravo, privado de liberdade, ou “doulov, doulos - homem numa condição servil) ou para um romano ( slavus, sclavus do latim medieval, que significa literalmente cativo, privado de liberdade).[2] No nosso vernáculo a palavra em questão, que foi herdada do latim, leva-nos a entender diferentemente do que a cultura judaica, inicialmente, entendia por escravo.

            O escravo era proibido de sofrer maltrato (cf. Êxodo 21.26,27), Deus lembra o povo de hebreu dizendo: “Lembrar-te-ás de que foste escravo no Egito e de que o SENHOR te livrou dali; pelo que te ordeno que faças isso”.
            Se algum hebreu tirasse a vida de um escravo seria punido (cf. Êxodo 21.20), e se maltratasse perderia o direito de tê-lo como servo (cf. Êxodo 21.26,27), se um animal, de algum senhor, o ferisse, esse animal deveria ser apedrejado (cf. Êxodo 21.32). O escravo recebia pagamento, com o qual poderia comprar seus alimentos e até sua liberdade (em caso de escravos por roubos, furtos ou dividas), mas se, enquanto escravo, nascesse filhos, essas crianças seriam sustentadas pelos seus senhores (Levítico 22.11).
        Se o escravo fugisse, não poderia ser devolvido para seus senhores, antes deveria ser acolhido e não oprimido (cf. Deuteronômio 23.15-16), fica subentendido que o escravo só fugia quando sofria algum tipo de maltrato.
        Havia duas datas comemorativas em Israel onde o escravo poderia escolher continuar com seu senhor ou viver livre, era o ano sabático e festa do jubileu. A decisão caberia ao escravo (cf. Êxodo 21.1-5).
          Para que pudesse de fato ser um escravo, este deveria se submeter a uma exigência ante a lei, deveria ser circuncidado, tornando-se assim um professo da fé hebreia (cf. Gênesis 17.1-27; Êxodo 12.44), e se não aceitasse tal imposição seria devolvido a sua nação de origem.
        Somente em alguns casos um ser humano escravo era forçado a trabalhar, era o caso de um ladrão que era submetido à servidão, por não conseguir restituir seu roubo (Êxodo 22.3), mas mesmo nessa condição receberia seu pagamento.
      Se algum hebreu raptasse alguém, ou o vendesse, ou fosse achado em suas mãos deveria ser morto (Êxodo 21.16), aqui fica clara a diferença entre escravo para o antigo testamento e os escravos em outras nações[3].
        A submissão de homens e mulheres que se tornavam escravos era devido à condição social ou por dividas, que também os levavam a uma condição social ruim, ressaltamos, porém, que a ordem divina não foi para fazer escravos e sim acolher servos.


Oaidson Bezerra e Silva



[1] VILA NOVA, Sebastião, Introdução à sociologia, 5 ed. rev  e aum. : São Paulo; Atlas 2000, pg. 91.
[2] Copyright©2001... 2009 Instituto Antônio Houaiss. Produzido e distribuído pela Editora Objetiva Ltda. Seção  Dicionário Língua Portuguesa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

TRATAMENTO AO ESTRANGEIRO SEGUNDO O ANTIGO TESTAMENTO



“... era estrangeiro, e hospedastes-me...” (JESUS CRISTO)




 As imigrações legais e, principalmente, ilegais tem se tornado o centro das atenções dos países da Europa e de outros países desenvolvidos
 Há quem diga que o mundo vive a maior crise humanitária, o número de deslocados e refugiados já ultrapassam a quantidade de pessoas nessas situações por ocasião da segunda guerra mundial. A estimativa é que hoje existem 60 milhões de pessoas deslocadas violentamente de suas casas por conta de conflitos políticos, étnicos e religiosos. Dessas 60 milhões cerca de 20 milhões tiveram que deixar seu país. Em 2014 a média de pessoas que tiveram que abonar suas casas e viver como estrangeiros foi de quase 42.500 pessoas por dia!
 O estudo que se segue faz parte de uma serie de estudos realizados para discutir a bíblia e a questão da pobreza.  Os estrangeiros que vagueiam sem terra, e por consequência, sem renda, acabam como marginais na  sociedade e sobrevivem em condições de total exclusão.  
  Que a igreja não feche os olhos para essa realidade.

ESTRANGEIROS, QUAL TRATAMENTO SEGUNDO ANTIGO TESTAMENTO.

 Os estrangeiros (gentio, não israelita) não deveriam ser maltratados, nem explorados. Jeová devota-lhes amor e os hebreus, também, deviam amá-los e cuidar desses estrangeiros. (cf. Deuteronômio 10.18,19). O argumento divino para que os hebreus agissem assim era simples: “Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.” (DEUTERONÔMIO 10.19).
 Na lei judaica, presente em Deuteronômio 27.19, se algum judeu oprimisse algum adventício era amaldiçoado pela própria lei divina. A sobrevivência digna para o estrangeiro era assegurada por lei, se não conseguisse sustentar-se não poderia estar reduzido a uma condição de marginalidade social (cf. Levítico 25.35), as colheitas “nos campos, nas vindimas e olivais não poderiam ser de todo colhido após o varejamento, deviam sobrar alguns frutos daquela colheita afim de que os estrangeiros pudessem respigar alguma coisa deixada[1]”, o fato de os lavradores deixarem algumas respiga dava ao estrangeiro a oportunidade de juntar alimentos de uma forma digna e não mendigar.
 A pesquisa textual focada no Pentateuco leva-nos entender outro fator importante: a lei torna iguais, perante ela, estrangeiros e nativos. “Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus” [2]. (cf. Êxodo 14.29; Levítico 24.22; Números 9.15; Números 15.16). A discriminação racial não poderia ocorrer, haja vista a ordenança de Deus em tratar o estrangeiro com respeito e amor. O hebreu foi advertido por Deus para não perverter os direitos dos não hebreus. (cf. Deuteronômio 27.19).
 Outro tratamento interessante é que ao realizar algum empréstimo para o estrangeiro não era permitido a pratica de usura (cf. Levítico 25.35-37), também, este ao trabalhar deveria receber “seu salario antes do pôr-do-sol [3].
 Jó[4], enquanto questionava Deus, mostra claramente como um cidadão exemplar, também cuidava dos estrangeiros: “nunca deixei um estrangeiro dormir na rua; os viajantes sempre se hospedaram na minha casa.” (Jó 31.32)
 Há alguns exemplos de estrangeiros que tiveram êxito no antigo testamento, a ex-prostituta de Canaã Raabe (Josué 2) , o soldado hitita Urias (1Samuel 11), Rute a moça moabita ( Rute 1-4), Ornã o jebuseu (1 Crônicas 20), entre outros, deixando claro que os imigrantes, não formam esquecidos por Deus e nem pela lei.
  Nos Salmo 94.1-10 contidos no antigo testamento os autores em alguns casos clamam por justiça, destacamos um trecho a seguir:
         Ó SENHOR Deus, a quem a vingança pertence, ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente! Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá o pago aos soberbos. Até quando os ímpios, SENHOR, até quando os ímpios saltarão de prazer?  Até quando proferirão e dirão coisas duras e se gloriarão todos os que praticam a iniquidade?  Reduzem a pedaços o teu povo, SENHOR, e afligem a tua herança.  Matam a viúva e o estrangeiro e ao órfão tiram a vida. E dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atentará o Deus de Jacó. Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? Aquele que argui as nações, não castigará? E o que dá ao homem o conhecimento, não saberá? (ARC, GRIFO NOSSO)
 Os livros dos profetas também tratam de questões ligadas aos estrangeiros ora denunciando os hebreus de não cumprirem a lei divina, extorquindo e colocando os adventícios numa condição social lastimável, ora dando-lhes esperança mostrando que o Deus de Israel não se esqueceria dos estrangeiros.
 O profeta Isaías, por exemplo, fala que o estrangeiro não seria discriminado (cf. Isaías 56.3,6). Jeremias fala que uma das condições para se cumprir uma promessa para os hebreus, estes deviam cuidar dos estrangeiros (cf. Jeremias 7.1-7), e, ainda em Jeremias, os hebreus são convocados a executar o direito e a justiça, “... não oprimindo o estrangeiro...” (Jeremias 22.3). O profeta Zacarias e o profeta Malaquias, também, clamam contra a opressão imposta a estrangeiros (cf. Zacarias 7.10; Malaquias 3.5).
  O entendimento formado a partir do antigo testamento no que tange ao estrangeiro, no mínimo deve ser o de respeito, direito a uma vida digna, emprego não exploratório e que não haja discriminação para os adventícios existentes.    O cristianismo que adota o antigo testamento com escritura divinamente inspirada deve estar de olhos abertos e braço estendido para aqueles que procuram refugio.
Parnaíba 14 de outubro de 2015



[1] Pesquisa realizada no texto “Amara ao estrangeiro” de Nicolleta Crostti, p.7
[2] Levítico 19.34
[3] Texto de Deuteronômio 24.15 ARA.
[4] Personagem do livro veterotestamentário que leva o mesmo nome, onde narra a trágica história de um homem que sofre com o mal, mais por fim tem o seu sofrimento transformado em bem-aventuranças. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O perigo em ser bom. A bondade e o ser




Em algum momento da vida você pode ter se perguntado: Porque ser bom?Por que ser bom filho? Bom esposo? Boa esposa? Um bom profissional? Um bom cristão?
Sem dúvida muitas respostas surgem a esse questionamento: “Devemos ser bons porque agindo assim receberemos bondade em troca”. Ou: “Devemos fazer isso porque aquilo que plantamos colhemos. É o que se espera das pessoas”.  “Se você não for uma pessoa bondosa o que pensarão a respeito de você?”
Kant responde dizendo que devemos ser “bons com os outros” simplesmente porque isso é que está certo. Todas essas respostas me levam a outro questionamento: Qual a motivação de minha bondade?
Parece-me que todas as afirmações acima tendem a fracassar quando pensamos a respeito. Vejamos por exemplo Jesus que curou pessoas, perdoou pecados, ensinou a muitos, clamou por justiça, e o que ele colheu?
E os seus discípulos? E os cristãos do primeiro século? E Martin Luther King? E os judeus durante a segunda guerra mundial? Enfim, me parece não muito convincente as afirmações de ser bom por motivações de “uma boa colheita”.  Ser bom pelo apelo social também não é a motivação correta.
Ser é algo que existe, no grego eimi (primeira pessoa do indicativo ativo do presente). Somos no presente, enquanto existimos, no movimento que chamamos de agora.  Nesse sentido não se pode negar aquilo que se é, podemos enganar os outros com as diversas mascaras sociais que usamos. Mas não podemos negar aquilo que somos.
O primeiro filósofo a colocar explicitamente o conceito de SER foi Parmênides de Eleia (século VI a.C. - século V a.C.). Para ele, seria impossível falar ou pensar no Não-Ser, pois o Não-Ser nada refere. Para o pensador de Eleia, O Ser, que existe para além das ilusões do mundo sensível da doxa, é uno, eterno, imóvel, não-gerado e imutável: "O Ser é e o não ser não é".[1]
Nesse sentido ser bom, por esperar algo, ou para receber gloria, louros da fama, já não é ser bom.  Alguém deve agir com bondade, por que ele é bom, a motivação é aquilo que a pessoa é. Ser é ser. Ser bom para receber bondade é ser interesseiro, negociador, barganhador. Pensar em ter vantagens por algumas atitudes louváveis não demostra o que somos na verdade, por que na verdade somos o que somos.
Ser bom para obter reconhecimento ou não ser julgado, não é ser bom. Talvez a busca por inflar seu ego, um pouco de narcisismo, ou a síndrome do “espelho espelho meu” retratada nos contos dos irmãos Grimm. Leon Tolstoi já dizia: “Não é possível ser bom pela metade”.
Na verdade sempre queremos ganhar, crescer, ser visto, ser reconhecido, não ser julgado.  A nossa natureza clama por isso.  Por isso cultivar uma bondade desprovida do real sentido do ser, é inútil, é perigoso, pelo menos para os cristãos.  
Jesus praticava a bondade, pois essa era sua natureza, Ele era, Ele é, e sempre será.
Nós devemos agir com bondade pela nova natureza que recebemos. (João 3.3) Essa nova natureza nos impele a produzirmos frutos, é um deles é a bondade (Gálatas 5.22). A nossa motivação não pode ser mesquinha, interesseira, infantil ou covarde. Mas pelo Espirito que comunica ao nosso ser interior uma nova vida, um novo caráter, um novo ser, agora motivados pelo somos. (2 Coríntios 3.18).  Libertos e despidos do velho homem (Colossenses 3.9; Efésios 4.2). Esse novo ser é real. Ele age, porque agora é.  
Ser bom pode nos custar a vida. Maquiavel ensina que ser bom em meio a tantos outros que são maus é uma desvantagem.  Contrapondo Maquiavel, Jesus afirma que felizes são aqueles que são; bondosos, misericordiosos, mansos, perseguidos. (Mateus 5).  Não se pode negar aquilo que se é. Mesmo estando em desvantagem aqueles que nasceram de novo, mesmo correndo o risco de açoites, de desprezo, de “sair perdendo”, de morte, não deixaram de ser aquilo que são.



   “...pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou...” (Colossenses 3.9-10)



Oaidson Bezerra e Silva










[1] Disponivel em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ser .  Acesso em 23/01/2017